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quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

As I am

Quebrei o espelho. Me joguei no chão e senti aquelas lágrimas quentes tão conhecidas por mim, jorrarem dos meus olhos. Mais uma vez eu estava ali. No chão frio. Me perguntando porque eu era assim. Me senti impotente. Nada que eu fizesse, ou deixasse de fazer, iria me resgatar daquele breu que me sugava constantemente. Quebrar aquilo que refletia meu horror, meu pesadelo, não havia me deixado mais aliviada. Aquele gesto só confirmava algo que eu já sabia, que eu escondi tão bem dentro da minha alma, dentro da minha ilusão: Eu desprezava cada parte do meu ser.
É engraçado o que a gente pode fazer com a gente mesmo. Podemos nos destruir com poucas palavras, algumas percepções erradas ou com qualquer olhar mau interpretado. Alguns instantes depois de eu me levantar e afastar alguns cacos do meu grande inimigo -agora- estraçalhado, e de me jogar na cama para encarar os pedaços do espelho que refletiam o teto, eu percebi. Percebi algo que eu achei que iria demorar muito mais que alguns minutos de silêncio para entender: As pessoas são só pessoas. Não tem o poder de julgar ninguém. Algumas avaliam as outras pelo exterior porque é só isso que elas mesmas possuem. O seu exterior pode ser impecável, mas não é válido se sua alma é podre, se seu sorriso é hipócrita,ou se seu cérebro não funciona. Todos somos bonitos, de um jeito particular. Somos diferentes. No final, só temos que acreditar em nós mesmos.

Texto: Mariana S. Cardoso



segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Metamorfosicamente Falando

Eu vivo na metamorfose. Física e mental. Nunca sou o que fui ontem, e com certeza, amanhã não serei o que fui hoje. Um ano eu gostava de ficar parada, quieta, no outro eu não suportava o fato de não me mexer. Daqui há algumas horas pode ser que eu não goste mais daquela banda tão amada, ou talvez eu goste mais ainda. Todos vivem na metamorfose. Podemos mudar muito, ou pouco. Ninguém dita isso, tampouco nos obrigam. Mudamos naturalmente. É a regra. As exceções vivem por ai, com a mesma cara, com a mesma alma. Desinteressantes. É o que eu acho delas. Talvez essa mudança constante de vida é o que nos atrai. Queremos sempre saber o que vem depois, o que vai acontecer. Se vamos gostar da mesma pessoa, ou se o descaso da paixão irá cessar. Sinto repugnância do 'ficar'. Eu gosto mais é do 'ir'. Sou intensa. Sou constantemente inconstante. Mas como vivo na metamorfose, amanhã eu posso não ser. Hoje sou lagarta, outro dia borboleta. Sempre crescendo, sempre evoluindo.

Texto: Mariana S. Cardoso.


"Eu quero dizer agora, o oposto do que eu disse antes. Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo" Raul Seixas










quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Guerreiros ainda existem

Não é mágico saber que entre mais de um milhão de galáxias, nós tivemos a chance de existir? Não é bonito que com todo o sofrimento de algumas almas, elas ainda deixam-se emocionar com um sorriso de criança ou uma doce melodia? Eu acho impressionante o fato de que com toda a diversidade de pessoas no mundo, temos a chance de encontrar alguém que nos faça se sentir únicos. Apesar de toda crítica a cultura, aos livros, ao humor, música, estilo, religião ou qualquer outra diferença entre os gostos, os inteligentes sabem que muita boca por aí serve para passar batom e botar piercing, mas não para falar algo relevante. Apesar de toda essa guerra, de todas as perdas, de toda indiferença, os sonhadores sabem que existem ainda os que praticam a paz, os que enxergam que também podem ganhar, e os que realmente se importam. Eu acho fascinante as pessoas que chegaram ao fundo do poço, tiraram a força de vontade da menos ou maior coisa que acharam e conseguiram dar a volta por cima mostrando que o mundo só dá voltas para aqueles que não estão sentados esperando a sorte bater na porta ao invés de procurar por ela. Não é gratificante saber que com toda descrença do mundo, existem pequenos grupos tentando convencer, incansavelmente, toda uma sociedade de que se acreditarmos no nosso potencial de fazer acontecer, seremos forte o bastante para passar pelas dificuldades de cabeça erguida? Claro que é. É bom saber que mesmo quando a maioria diz não ainda existem os que lutam pelo sim.

Texto: Mariana S. Cardoso.